Irmã Provincial nas ROCAS:
- paroquiasagradafam1
- 16 de set. de 2022
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Aprendemos com a Igreja Sinodal de Francisco que ouvir é o primeiro passo para cuidar.

Neste dia 16 de setembro, a Paróquia das Rocas recebe a Irmã Eurídes Alves de Oliveira (57) coordenadora provincial da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, que realiza na ocasião visita trienal às Casas da Congregação nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Paraná e ainda fora do Brasil, no Haiti e Colômbia. A visita tem uma programação com as Religiosas e acontece em dois dias corridos.
A Irmã Eurídes atuou no Amazonas e na linha de defesa da mulher, enfrentamento à violência contra jovens e integra a rede Um Grito Pela Vida, que, dentre outras frentes atua no combate ao tráfico humano.
Nossa entrevista foi realizada na Casa de Acolhimento que se situa em nosso território paroquial, com a cativante presença de toda a Comunidade Religiosa.
PASCOM: Irmã Eurides, bem vinda às Rocas e à Paróquia da Sagrada Família. Receba também as boas vindas de nosso Pároco e dos nossos Conselhos Pastoral e Administrativo. Sua visita coincide com a semana na qual a Arquidiocese de Natal publicou o Documento Síntese da Fase da Escuta Arquidiocesana do Sínodo. A Sra. também chega para escutar as freiras. Qual a importância deste gesto de escuta na Igreja?
IRMÃ EURÍDES: Hoje pela manhã escutei quatro das irmãs desta casa. Apenas quatro, porque o processo de escuta demanda atenção. Porque elas têm necessidade de contar e recontar. Revivem muita coisa e agradecem, tudo o que tem. Precisamos simplesmente acolher, considerando que o idoso precisa desse acolhimento. Ouvir e aprender. Embora o idoso seja carente devido suas fragilidades, eles trazem uma carga de sabedoria acumulada e experiências significativas que precisam ser acolhidas e celebradas, como luz para nós. Para nós, que estejamos no ativismo, é importante ouvir os idosos porque eles nos preparam pra chegar àquela idade. Nos dão pistas. Além disso, aproveito as escutas para incentivar a vida de oração dos idosos. Eles fecundam a vida da Igreja com a oração. Em nossa visita, aproveitamos para passar vídeos sobre o que está acontecendo na Igreja atualmente, para que elas acompanhem as atualidades, sobretudo com a reza, com a oração delas. A escuta passa por uma respeito pelas irmãs e da corresponsabilidade advinda da nossa missão de cuidar do outro, em especial dos idosos. Aprendemos com a Igreja Sinodal de Francisco que ouvir é o primeiro passo para cuidar.
PASCOM: Irmã, o tema Sínodo aponta, dentre outras coisas, para a territorialidade, o jeito de ser de cada Paróquia. Além disso, as irmãs do Imaculado Coração já pertencem ao nosso povo das Rocas, territorializaram-se com nosso jeito canguleiro de ser. Como a sra. encontrou essa Comunidade Religiosa do Imaculado Coração aqui nas Rocas?
IRMÃ EURÍDES: Quando pensamos em trazer as irmãs do interior do RN para a capital, a principal ideia era a proximidade com os serviços de saúde especializados, que se encontram na capital, porém, o principal motivo de termos escolhido Natal, foi histórico, porque aqui foi erigida a primeira casa de nossa Congregação no Nordeste, e escolhemos as Rocas porque pensamos que nossas irmãs têm a cara do povo. A principal característica desta casa é ser sinal da presença religiosa em meio ao povo e terem se consolidado como uma força poderosa de oração. As irmãs aqui da casa rezam muito, pelo Padre, pelo povo, pelas lideranças políticas e comunitárias, pelas realidades desta área da cidade do Natal. Hoje, inclusive, eu escuta umas delas que diziam assim: ‘mas o povo não vem mais aqui … as pessoas vinham aqui e agora não veem mais”, e então consideramos no diálogo que a pandemia atrapalhou um pouco essa relação. Faço também um apelo, que se retomem as visitas dos grupos e individuais à Casa das Irmãs. Elas são parte da comunidade. E aproveitei para incentivar a presença delas na Celebração Eucarística, que promove o encontro com a comunidade. Embora elas não consigam mais puxar a pastoral, podem ‘se meter’ em grupos de círculos bíblicos, encontros missionários nas casas etc.
PASCOM: A pandemia impactou muito as realidades humanas e interrompeu diversas atividades. Como a está essa retomada dos planos das Freiras do Imaculado Coração de Maria com as comunidades paroquiais no Brasil?
IRMÃ EURÍDES: Olha, eu penso que é recomeço pra todo mundo. Reaproximação, novos planejamentos. Mas o que eu sinto é um grande envolvimento com o mundo eclesial, através do sínodo e lançar-se paulatinamente na visita às casas, ao povo. Elas têm muita sede de voltar às atividades, mas eu tenho pedido para irem devagar, porque ainda não saímos completamente da pandemia. Tenho falado também que esse retorno deve ser com mais sensibilidade, humanidade, cautela, valorização da pessoa humana, porque o isolamento nos fez sentir necessidade do outro. Além disso, nossa realidade atual é de pandemias diversas: uma política de morte, cultura do desmonte, fome, desemprego, violência, cultura do ódio. Mais do que nunca, as religiosas precisam primar pela humanização, tolerância, amor, tudo isso dentro dos processos de evangelização. Inclusive, deixo como dica que se dê início a uma formação bíblica para o povo, de modo encarnado, para resgatar a esperança, a fé; beber na fonte que é possível um novo recomeço. A formação bíblica é a chave para leitura desta nova realidade e para a construção de novos projetos de Igreja, Comunidade, Política. Vejo a retomada com esperança, e estamos dispostas a contribuir. A Irmã Adélia, por exemplo, tem experiência de anos em círculos bíblicos, e, mesmo do alto dos seus 80 anos, está em condições de ajudar à Comunidade. Chegando lá na ponta … lá onde sr. Joãozinho está na rede, onde dona Maria que vende na feira passa o fim de semana sozinha etc, chegar na ponta da realidade.

PASCOM: Para concluir, saiba que a Congregação do Imaculado Coração de Maria, para nós tem muito a cara dessa casa, das irmãs, da irmã Mercês. Como está o futuro vocacional da Congregação? Nossa pergunta se insere na perspectiva de futuro para a Igreja Paroquial da Sagrada Família e no grande afeto que os paroquianos têm pelas irmãs do Imaculado Coração.
IRMÃ EURÍDES: A cultura e animação vocacional é um apelo e grande desafio para toda a Igreja, e nós estamos inseridas nesse meio. Nunca nos faltou vocações, mas temos hoje um número bem reduzido. Temos sido parteiras de muita liderança para a Igreja - catequistas, animadores de grupos de jovens, movimentos populares, gente fazendo a diferença na na política. O Rio Grande do Norte sempre foi uma pérola pra nós em termos de vocação, temos cinco ou seis irmãs que são potiguares, algumas até fora do país, Bolívia, por exemplo. Mas estamos vivendo um período de baixa, hoje contamos apenas com duas noviças no Brasil e uma aspirante interna, também acompanhamos 17 jovens que estão no discernimento. Nosso desafio é a força do testemunho, um envolvimento maior na promoção vocacional por parte da Hierarquia Eclesiástica, um empenho maior na divulgação da vida religiosa consagrada. E faço um apelo para que haja uma maior divulgação vocacional da vida religiosa consagrada junto à juventude, além de muita oração porque vocação é dom de Deus. Permanece portanto nossa responsabilidade fazer um grande mutirão, ou ajuy como se diz no Amazonas, porque Deus continua chamando e a seara continua sendo grande.
Uma coisa que a própria PASCOM pode fazer mais é a divulgação de testemunhos, porque os estudiosos em juventude hoje afirmam unânimes que o problema atual da juventude é a carência de referenciais que inspirem (não jogadores ou artistas), mas as lideranças idosas, padres idosos; histórias de vida.
PASCOM: Irmã Eurídes, nossa gratidão. É certo que sua visita trará uma mensagem que vai atravessar os muros desta casa e chegar aos nossos paroquianos. Obrigado por sua vida doada.
IRMÃ EURÍDES: Quero então agradecer a oportunidade, o carinho e o cuidado que a Paróquia tem com as irmãs. Essa troca de afetos é fraternal, sororal. E dizer que a gente se sente Igreja. Estamos sempre sintonizadas e em oração, ainda quando as limitações físicas nos impedem de participar presencialmente na vida pastoral. E dizer que a gente confia muito que vocês nos ajudam a cuidar delas aqui.





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